Tatuagens: Quais são os riscos a longo prazo de viver com tinta sob a pele?

tinta

As tatuagens deixaram para trás sua imagem rebelde e já se tornaram bastante comuns. Cerca de 120 milhões de pessoas no hemisfério ocidental tem uma tatuagem, e estima-se que 36% dos menores de 40 anos de idade têm pelo menos uma.

Historicamente, as normas de saúde e segurança relacionadas com tatuagens têm sido centradas apenas nas regras de higiene e prevenção de infecção. Entretanto, pouco se sabe sobre os riscos a longo prazo de viver com tinta sob a pele, motivo que justifica a urgência da necessidade de uma reavaliação do assunto do ponto de vista toxicológico, o que ocorreu através de uma recente revisão realizada por 26 especialistas dos Estados Unidos, Europa e Canadá, publicada na revista The Lancet.

De acordo com esta pesquisa, “A medical-toxicological view of tattooing” tatuar envolve atravessar a barreira da pele e, portanto, acarreta algum risco de infecção: entre 1% e 5% das pessoas tatuadas sofrem infecção bacteriana após o procedimento. Estas infecções podem ser superficiais de pele, mas também existem relatos de casos sistêmicas graves.

Os especialistas afirmam que pouco se sabe sobre a toxicidade e biocinética das tintas de tatuagem e se, eventualmente, tornam-se substâncias tóxicas no corpo humano. Uma pesquisa de 2010 na Alemanha descobriu que 68 por cento das pessoas tatuadas relatou alguma complicação, especialmente aqueles que tinham tatuagens coloridas. Enquanto a maioria das tintas atuais contêm pigmentos orgânicos também são utilizados metais pesados como o titânio, bário, alumínio, cobre, antimônio, arsênio, cádmio, crômio, cobalto, chumbo e níquel. Outras preocupações que estes pesquisadores argumentam, são a respeito da fototoxicidade potencial e a migração de substâncias e possível conversão metabólica dos ingredientes destas tintas em substâncias tóxicas. Além disso, a remoção das tatuagens também se mostra um problema: o que ocorre após a remoção dos pigmentos, geralmente realizada por laser, é desconhecido.

Diante do fato de que não existe regulamentação para a produção e a esterilização de corantes para tatuagem, este estudo demonstra que mais pesquisas são necessárias para auxiliar no desenvolvimento de práticas seguras, do ponto de vista sanitário, para a prática da tatuagem. Também defende a proteção aos consumidores, através da aplicação das normas nacionais e internacionais, uma regulação mais rigorosa com o estabelecimento de marcos legais para controlar o uso de tintas tóxicas.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s