Esclerose Múltipla e vitamina D

sol

O uso da vitamina D tem sido motivo de grande controvérsia na medicina. Enquanto alguns médicos são absolutamente contra o uso para o tratamento da esclerose múltipla, outros médicos clamam que a vitamina pode curar a doença.  O que dizem as evidências científicas?

A hipótese de que a vitamina D previne surtos e/ou reduz o risco de uma pessoa desenvolver Esclerose Múltipla provém da constatação de que esta doença é mais frequente em países da Europa e América do Norte, nos quais o Sol – fonte da referida vitamina – incide menos do que nos países mais próximos à Zona Equatorial.

A partir de então uma série de autores buscou entender a relação entre vitamina D e as doenças autoimunes. É sabido que que a vitamina D possui propriedades semelhantes à dos hormônios e que influencia o metabolismo do cálcio e atividade autoimune.

O Dr Alberto Ascherio de Harvard Medical School, Boston, talvez tenha sido o primeiro a apresentar uma pesquisa categorizando pela dosagem de vitamina D a melhora dos pacientes, levando à uma visão que fortalece muito cientificamente o uso da vitamina D em pacientes com esclerose múltipla.

ATENÇÃO: em nenhuma das pesquisas realizadas a vitamina D foi usada isoladamente para o tratamento da esclerose múltipla. Portanto, não existe evidência científica que suporte o uso da vitamina D como monoterapia para o tratamento da Esclerose Múltipla.

No entanto, seu uso descontrolado pode piorar o quadro de saúde de um paciente. Isso ocorre porque a vitamina D é lipossolúvel e, diferente das outras vitaminas que são eliminadas pelo rim se tomadas em excesso, a vitamina D se acumula no fígado. Infelizmente todos os neurologistas que trabalham com esclerose múltipla já viram pacientes com hipervitaminose D, causadas por imprudências e uso desmedido. A hipervitaminose D é um quadro dramático que leva a sonolência, tremor, calcificação renal, hipertensão intracraniana e coma, se não for adequadamente tratada. Portanto, a dosagem periódica da vitamina D nos pacientes que fazem o uso da mesma é mandatório.

Como, então, realizar corretamente um tratamento com vitamina D para Esclerose Múltipla?

Confira algumas dicas:

– Evitar a automedicação: usar medicamento sem avaliação médica é uma atitude desaconselhável para qualquer doença, muito menos para a Esclerose Múltipla, que pode comprometer seriamente determinadas funções do seu cérebro. Portanto, conte sempre com um neurologista especializado para avaliação e medicação;

– Buscar tratamento personalizado: cada pessoa tem uma susceptibilidade diferente em relação à Esclerose Múltipla, assim, o tratamento individualizado, feito à base de exames, é mais eficaz do que aquele generalizado, no qual a mesma dose de medicamento é ministrada para qualquer tipo de paciente;

– Controlar o uso por meio de exames: o uso indiscriminado de vitamina D em altas doses pode levar o paciente à intoxicação com nefrocalcinose, hipertensão intracraniana e coma. Por isso, esta substância deve ser ministrada somente após a obtenção de resultados de exames específicos, personalizados e periódicos.

Basear o uso de vitamina D para Esclerose Múltipla por conta do que ouviu dizer numa matéria ou peça de propaganda poderá fazer de você uma cobaia, um engodo de charlatões ou piorar sua doença. Portanto, para saber mais sobre o uso de vitamina D na Esclerose Múltipla, procure sempre neurologistas especializados no assunto, que poderão avaliar cada paciente de forma individualizada, com o objetivo de melhorar a sua qualidade de vida.


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